A discussão sobre até onde a inteligência artificial deve avançar ganhou mais um capítulo polêmico. Uma startup americana apresentou um aplicativo capaz de recriar digitalmente pessoas que já faleceram — permitindo ao usuário conversar com uma versão simulada de um ente querido. A novidade, claro, rapidamente viralizou e reacendeu debates sobre ética, privacidade e o próprio processo de luto.

Como funciona a tecnologia?

O aplicativo, criado pela empresa 2wai, utiliza vídeos comuns gravados pelo celular para gerar avatares hiper-realistas chamados HoloAvatars. Esses “personagens digitais” simulam voz, movimentos e expressões, permitindo uma interação que vai além de simples respostas automatizadas.

Na teoria, bastariam poucos minutos de gravação para preservar digitalmente alguém para sempre.

Por que o tema explodiu nas redes?

O assunto ganhou força após o ator Calum Worthy, conhecido por trabalhos na Disney, publicar no X (antigo Twitter) um vídeo de demonstração. Na gravação, uma mulher grávida conversa com a versão digital de sua mãe falecida. A história avança no tempo: o avatar lê histórias para o neto, acompanha seu crescimento e até interage com ele já adulto.

A cena emociona — mas também incomoda.

Reações: entre conforto e desconforto

O público ficou dividido:

  • Alguns consideraram emocionante a possibilidade de manter viva a memória de quem já se foi.
  • Outros apontaram riscos psicológicos, sugerindo que isso poderia atrapalhar o luto natural.
  • Houve quem acusasse a iniciativa de lucrar com a dor alheia.
  • Comparações com a série Black Mirror surgiram imediatamente.

Especialistas em ética e tecnologia, por sua vez, levantam questões sobre consentimento e privacidade:
uma pessoa que já faleceu pode ser “replicada” digitalmente sem autorização?

O que a empresa diz

Os criadores defendem que a ferramenta funciona como um “arquivo vivo da humanidade”, capaz de preservar histórias, traços e lembranças de forma quase imersiva. A empresa já levantou cerca de US$ 5 milhões em investimentos, indicando que o mercado enxerga potencial na tecnologia.

Um futuro inevitável?

Independentemente das críticas, é difícil negar que esse tipo de tecnologia abrirá portas para novos modelos de interação, educação e entretenimento. Porém, a pergunta que permanece é:
estamos emocionalmente preparados para interagir com versões recriadas de quem perdemos?

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